O que mais preocupa o brasileiro no Brasil pós-impeachment

Adriano Machado/Reuters
O presidente interino Michel Temer em seu primeiro discurso no cargo: quando ele assumiu o comando do Planalto, sua taxa de desaprovação estava no mesmo nível que a de Dilma.
São Paulo – Depois de encher ruas clamando pelo impeachment e de ver a presidente Dilma Rousseff (PT) ser afastada, a principal inquietação dos brasileiros é de que, mesmo com a chegada do novo governo ao poder, o status quo da política nacional se mantenha.
É o que revela estudo da empresa de pesquisas Ipsos realizado entre 29 de abril a 14 de maio com 1,2 mil pessoas de 72 cidades. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
De acordo com o relatório Pulso Brasil, 14% dos entrevistados apontam que o que mais os preocupa neste período de transição de governos é de que tudo continue do mesmo jeito. Crise econômica, aumento da corrupção e a crise política vêm em seguida com 12% e 11%, respectivamente.
O resultado da pesquisa faz sentido quando se olha para a principal bandeira dos protestos dos últimos anos. Mais do que um novo gestor no Executivo federal, o que os brasileiros querem é uma revolução radical na maneira como se faz política.
O problema é que, aparentemente, o presidente em exercício, Michel Temer(PMDB), ainda não representa, para a opinião pública, o papel de protagonista para tais transformações.
Mesmo com todo apoio da classe política, o peemedebista amargava, na época da pesquisa, uma taxa de desaprovação tão ruim quanto a de Dilma.
Segundo o relatório, 67% dos entrevistados naquele momento desaprovavam totalmente ou um pouco a atuação do então vice – nível semelhante ao de sua antecessora, que, às vésperas da votação, acumulava 69% de reprovação.
Em abril, a taxa de aprovação de Temer era de 24%. No mês seguinte, caiu para 16%. Como os dados foram coletados no período que antecedeu à posse do peemedebista e nos três primeiros dias da nova gestão, os números não abarcam uma suposta reação ao teor da estreia do governo interino - mas sinalizam os desafios que estão pela frente.
“Temer representa o político tradicional, a velha política”, diz Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs. “Falta uma agenda clara e o fato dele não ter uma imagem sólida como gestor”.
Pesa contra o presidente interino também a baixa taxa de credibilidade dos políticos em geral perante os brasileiros. Segundo o relatório, 78% dos entrevistados afirmaram que não confiam na classe política. Ao mesmo tempo, de cada 10 participantes da pesquisa, 7 se declararam favoráveis à realização de novas eleições presidenciais neste ano.
Por outro lado, a percepção do brasileiro sobre o rumo do país teve uma breve melhora no período analisado. Em março, 94% dos entrevistados consideravam que o Brasil estava no caminho errado. No mês seguinte, a taxa caiu para 88%.

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