03/06/2016 16:39
Como será o profissional da indústria 4.0?

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Um novo perfil: para atuar na indústria 4.0, profissional precisa desenvolver visão multidisciplinar
A união da chamada internet das coisas com a rápida
automatização desenha um novo cenário dentro das fábricas de todo o mundo. A
indústria 4.0, ou manufatura avançada, deve revolucionar as linhas de montagem
e gerar produtos inovadores e customizados em um futuro próximo. Com robôs cada
vez mais participativos no processo, mudará também o perfil do profissional que
as indústrias procuram.
Uma pesquisa da
consultoria Roland Berger estimou a escassez de mais de 200 milhões de
trabalhadores qualificados no mundo, nos próximos 20 anos. Um dos motivos que
contribuem para esse cenário é a necessidade de cada vez mais mão de obra
qualificada. Técnicos deixarão de exercer funções repetitivas, como o encaixe
de uma peça em um smartphone, por exemplo. Isso não significa, porém, que os
funcionários serão eliminados das linhas de produção. Eles ficarão concentrados
em tarefas estratégicas e no controle de projetos.
Mas qual será o impacto
dessa mudança na vida dos profissionais? Para responder a essa questão, é
preciso analisar o mercado alemão, onde a quarta revolução industrial está mais
avançada. Estimativa do Boston Consulting Group (BCG) indica que o número de
empregos deve aumentar 6% nos próximos dez anos. A demanda por funcionários no
setor de engenharia mecânica deve subir ainda mais, cerca de 10%. A expectativa
geral é que sejam criados 960 mil postos de trabalho, principalmente nas áreas
de TI e de desenvolvimento de software.
A tendência é que o
número de pessoas com alta qualificação aumente no mercado. “O papel do líder,
por exemplo, passa a ser ainda mais importante. Em vez de controlar as horas de
produção, ele alinhará as tarefas e fará a equipe trabalhar unida”, afirma
Eduardo de Senzi Zancul, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
(Poli-USP).
Apesar de o Brasil ainda
caminhar a passos lentos rumo à indústria 4.0, o tema já desperta muito
interesse por aqui. “A manufatura avançada representa um renascimento da
indústria. Os jovens em formação gostam de novidades, e as fábricas voltarão a
ter um ambiente desafiador. O que vejo nos alunos é um interesse crescente em
entender essa convergência entre informação, TI, eletrônica e hardware”, diz o
professor Zancul.
Quem quer conquistar
espaço nas fábricas do futuro deverá desenvolver novas habilidades. Será
preciso, por exemplo, aprender a trabalhar lado a lado com robôs colaborativos
para aumentar a produtividade. Isso gera espaço para exercer funções mais
complexas e criativas. O profissional não será responsável apenas por exercer
uma parte específica da linha de montagem, mas por todo o processo
produtivo.
É preciso estar aberto a
mudanças, ter flexibilidade para se adaptar às novas funções e se habituar a
uma aprendizagem multidisciplinar contínua. “É muito importante ter uma visão
ampla. E é nesse ponto que os profissionais já estão em falta”, afirma Gabriel
Almeida, gerente de engenharia e logística da empresa de recrutamento
Talenses.
Ter uma visão
multidisciplinar não significa que o conhecimento técnico perdeu importância no
currículo. Uma formação acadêmica em engenharia da computação ou mecatrônica é
importante, mas não é o suficiente. “As competências aprendidas em uma graduação
valem por cada vez menos tempo. Técnica você aprende, mas atitude é algo
intrínseco”, diz Ivar Berntz, sócio-líder do setor automotivo da consultoria
Deloitte. Gabriel Almeida, da Talenses, concorda: “É preciso se especializar em
diversas frentes e conhecer um pouco de cada coisa. Tem que gostar de
tecnologia, de inovação e, principalmente, ter curiosidade para aprender e
acompanhar uma indústria que sempre se reinventa”.
Especialistas mapearam
ainda a possibilidade de surgimento de duas novas profissões ligadas à
indústria digital: a de cientista de dados industriais, responsável por
análises avançadas de dados, e a de coordenador de robótica, profissional que
deverá interagir com os robôs no chão de fábrica.
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